Vitor (Mateus Solano) é um jovem juiz federal recém-chegado
na cidade de Fronteira, disposto a desmontar um esquema de contrabando e
tráfico de drogas na região. Para prender Gomez (Chico Diaz), ele vai contar
com a ajuda da procuradora Alice (Paolla Oliveira), por quem se apaixona, e da
equipe do policial federal Elton (Eduardo Galvão).
‘Rua
Cloverfield, 10’ consegue ser genial mesmo antes de chegar às telas. E por trás
desse feito ele, J. J. Abrams filmou secretamente o filme driblando nada menos
que a mídia e Hollywood para pegar todo mundo de surpresa ao lançar o trailer
recordando a qualidade e a originalidade de 2008, ‘Cloverfield – O Monstro’.
Vale
lembrar que ‘Rua Cloverfield, 10’ não é uma sequencia do filme de 2008. O
estilo found footage e o monstro destruindo a cidade de Nova Iorque são
deixados de lado, enquanto esta nova produção soma uma trama minimalista
apresentando elementos de ‘Psicose’, ‘Louca Obsessão’ e recentemente ’O Quarto
de Jack’.
Após
sofrer um acidente de carro, Michelle (Marry Elizabeth Winstead) acorda
acorrentada em um quarto embaixo da terra. No remoto local, a garota recebe a
visita de Howard (John Goodman), o dono da estrutura alegando ter salvo a sua
vida e explicando a situação em que o país vive. Desconfiada, Michelle começa a
aceitar a idéia após conhecer Emmet (John Gallagher Jr.), outro sujeito explicando
o quão seguro é lá dentro.
O
roteiro assinado por Josh Campbell, Matthew Stuecken e o notável Damien
Chazelle (aquele do ótimo ‘Whiplash – Em Busca da Perfeição’) consegue ser
brilhante mesmo em uma trama simples. A tensão é crescente no decorrer da
produção, a narrativa surpreende com recheadas reviravoltas e muito bem
amarrada. Isso também é mérito pela dinâmica do trio protagonista e pela
excelente direção do estreante Dan Trachtenberg.
E a
estréia do cineasta não tinha como ser melhor. Trachtenberg deu uma aula de
como criar tensão através da desorientação psicológica remetendo ao espectador
o senso de incerteza vivida pela protagonista Michelle e mantendo o publico
indeciso em praticamente todos os 110 minutos levando a todos se questionarem -
será issoverdade?
Todas as questões envolvidas são transmitidas aos espectadores na excelente
atuação de John Goodman. A dubiedade do personagem é o ponto chave e Goodman soube com maestria ser ameaçador, explosivo, instável, como também ser sincero,
prestativo e erudito. Essa é com certeza a melhor atuação da carreira do ator,
e merece atenção para futuros prêmios. Elizabeth Winstead não fica para trás
vivendo a desconfiada e corajosa Michelle, sendo a peça fundamental para o filme
progredir. E o ator Gallagher Jr não se destaca como os demais, mas é relevante
para a dinâmica do trio e a quebra da tensão.
Trachtenberg
também mostrou ser competente ao utilizar planos abertos e fechados de maneira
inteligente para conceber uma atmosfera de pânico, conforto e claustrofobia associado a uma boa trilha sonora até mesmo para dar um toque de terror a trama,
porém exagerou nos jumpscares auditivos. Quebrando completamente seu ritmo nos
últimos 10 minutos podendo, ou não, agradar o publico. ‘Rua Cloverfield, 10’ é
grande ao criar o mistério e pequeno em sua resolução, mas mesmo assim é um
filme que merece toda sua atenção e coloca Trachtenberg um nome promissor.
A Rainha Ravenna (Charlize Theron) governava com justiça até
o dia em que sua bondosa irmã Freya (Emily Blunt) deu à luz uma menina
destinada a retirá-la de seu posto de mais bela do reino. Irada, ela assassinou
a criança, mergulhando sua irmã em uma profunda depressão. Anos mais tarde, ao
saber da morte de Ravenna, Freya decide ir em busca de seu espelho mágico. Só
que Ravenna ressuscita e caberá à Rainha do Gelo e aos rebeldes Erik (Chris
Hemsworth) e Sara (Jessica Chastain) lutarem, mais uma vez, contra os poderes
malignos da vilã.
Lançamento: 21 de
abril de 2016 (1h54min)
Dirigido por: Cedric
Nicolas-Troyan
Atores Principais: Chris
Hemsworth, Charlize Theron, Jessica Chastain
A trama gira em torno do jovem Mogli (Neel Sethi), garoto de origem indiana que foi criado por lobos em pela selva, contando apenas com a companhia de um urso e uma pantera negra. Baseado na série literária de Rudyard Kipling.
Lançamento: 14 de abril de 2016 (1h46min)
Gênero: Aventura, Fantasia
Dirigida por: Jon Favreau
Atores principais:
Neel Sethi, Idris Elba, Ben Kingsley, Bill Murray, Scarlett Johannsson, Christopher Walken
Como
o próprio nome do titulo original, ‘Remember’ faz uma alusão a carreira do
diretor Atom Egoyan. Desde ‘O Doce Amanhã’ que o consagrou como um grande nome
de Hollywood, o cineasta vem emendando trabalhos deploráveis nos últimos anos,
como ‘Sem Evidencias’ e ‘A Procura’. Tentando voltar aos bons tempos, Egoyan
dispõe do ótimo ator veterano Christopher Plummer em uma trama muito
interessante em ‘Memórias Secretas’.
Como
plano de fundo a 2ª Guerra Mundial, Zev (Christopher Plummer) e seu melhor amigo,
Max (Martin Landau), ambos sobreviventes de Auschwitz, fazem um pacto para
dedicar os últimos dias de sua vida a encontrar e vingar contra o nazista
responsável pela morte de suas famílias. Max impossibilitado de deixar o asilo,
sobra para Zev, mesmo com Alzheimer, a enfrentar seu algoz.
O
roteiro assinado pelo estreante Benjamin August é bem amarrado e prende o
espectador durante a jornada do protagonista até o ato final revelando grandes
surpresas. Propendendo-se a ficar repetitivo, o filme traz bons momentos
durante essa trajetória em uma interpretação sutil do excelente ator Plummer
vivendo com maestria o Zev. Quem também aparece nessa jornada por alguns
minutos é o bom ator Dean Norris, lembrando muito o seu personagem em ‘Breaking
Bad’.
Com
uma direção focada em mostrar as dificuldades do protagonista, a produção soa
indulgente com a velhice, assim com o próprioZev, e carece de sentidos em boa parte do filme.Em conseqüência, como a história tem como
tema central a vingança, o filme pode chocar boa parte do espectador.
Reservando um ótimo plot-twist nos últimos 15-10 minutos,
‘Remember’ consegue superar os fracassos dos últimos filmes de Egoyan,
apresenta um recurso dramático inteligente ao criticar que uma guerra pode
ecoar por uma vida inteira e o quanto a falta de compaixão é uma das maiores
tolices praticados pelos homens.
Alfred
Hitchcock é, sem duvidas, um dos grandes nomes da sétima arte. O gênio em todas
as suas produções sempre deixou imagens memoráveis e em ‘Psicose (1960)’ não
foi diferente. AfinaI, o filme contem uma das cenas, ou a cena, mais conhecidas
da história do cinema. Quem viu, sabe! Quem não conhece, pare o que está
fazendo e veja um dos melhores filmes da história.
A
trama acompanha Marion Crane (Janet Leigh), uma secretária que rouba 40 mil
dólares de seu chefe para recomeçar sua vida longe de sua cidade natal. Durante
sua fuga, uma forte tempestade obriga a parar no Bates Motel, administrado pelo
atencioso Morgan Bates (Antony Perkins).
O
brilhantismo do cineasta ao acompanhar a fuga da protagonista remete o
espectador a entrar no filme e sentir aquele ambiente lúgubre. Detalhe,
Hitchcock consegue essa façanha mesmo optando pela fotografia em preto e branco
e utilizando bastante o close-up e o médio plano, principalmente na primeira
metade com a chegada de Crane ao conhecido Bates motel.
[SPOILER] Outro
recurso utilizado pelo cineasta para criar um enorme suspense na primeira
metade é a narrativa em off e uma trilha sonora excelente causando muita tensão
entrando para a história do cinema. E o resultado de tudo isso é simplesmente
fantástico até a principal cena do filme - a morte no chuveiro. Chocante e
aterrorizante, a grande cena do filme da um nó na cabeça do espectador, pois
ninguém esperava uma protagonista morrer naquela altura da trama e fazermos
questionar qual o rumo o filme irá tomar.
A
partir daí, Hitchcock desenvolve a narrativa de maneira assustadora e guardando
um segredo de cair o queixo. Na segunda
metade, o terror começa a predominar no filme com um design de produção
sinistro e principalmente pelo roteiro beirar o perfeccionismo. Não é perfeito
justamente pelo seu final, o filme deixa a desejar em seus últimos minutos por
se tornar auto-didático e pela facilidade de como o antagonista foi
capturado.
Com Hitchcock inspirado, o elenco segue o mesmo caminho.
Todos estão ótimos, com um grande destaque a Antony Perkins vivendo um dos
psicopatas mais marcantes do cinema (um grande erro da academia não o indicar
ao Oscar) e de Janet Leigh. ‘Psicose (1960)’ consagrou de vez Hitchcock como um
mestre do suspense e entrou para a história como o melhor filme do gênero no
cinema.
O
gênero suspense esta em alta no inicio do ano de 2016. Agora nas telas,
roteirizado pelo renomado Michael Petroni (conhecido pelo ótimo ‘A Menina que
Roubava Livro’ e do bom ‘O Ritual’) e dirigido pelo mesmo, ‘Visões do Passado’
não fica preso apenas a esse gênero e Petroni acrescenta algo que grandes
produções não conseguem realizar: o terror, ou melhor, o susto.
A
trama acompanha o psicólogo Peter Bower (Adrien Brody) com dificuldades de
recuperar sua rotina de trabalho após perder sua filha de 12 anos em um trágico
acidente. Porém, algo sinistro acontece ao atender certa paciente, restando
apenas a Bower voltar a sua cidade natal e solucionar um enigmático problema.
Não
demora muito para o suspense predominar no filme. Com um inicio confuso e
arrastado com o propósito de criar uma duvida na mente do espectador, o
cineasta Petroni consegue criar o suspense nos minutos iniciais e acrescenta os
sustos durante toda a trama (boa parte funcionam), dando um tom mais macabro a
produção. Porém, o confuso e arrastado inicio pode levar alguns cinéfilos
desistir de assistir mesmo em seus rápidos 90 minutos.
Após passar por isso, o filme revela boas surpresas, engana
nos mistérios, traz boas revelações e tudo começa a fazer sentido. Apresentando
uma boa edição transitando as visões do psicólogo Bower, a trama conta como o
bom ator Adrien Brody para viver o protagonista que o faz com competência,
porém o restante do elenco é fraco e não desenvolvem seus personagens. ‘Visões
do passado’ tentou entregar novas idéias ao gênero, tem um bom roteiro, mas os
recursos técnicos são esquecíveis, cai nos clichês e faltou muito para ser um
grande suspense.