Conhecer
o cinema ao redor do mundo é sempre um privilégio para todos. Pouco visado pelo
público em geral, o cinema húngaro coleciona verdadeiras obras-primas como, ‘As
Harmonias de Werckmeister’, ‘O Quinto
Selo’, o recente ‘O Filho de Saul’ e muitos outros. Dessa vez, o filme do momento na casa dos
magiares, disponível na Netflix é, ‘A Garota Húngara (Demimonde)’.
Década
de 1910, Budapeste. A trama conta a história de três mulheres, a famosa
prostituta Elza (Patricia Kovacs), sua governanta Rozsi (Dorka Gryllus) e sua
nova empregada Kató (Laura Dobrosi). Juntas elas criam uma complexa e bizarra
relação culminando em uma coisa: assassinato.
A
direção requintada de Attila Szàsz instiga o espectador logo de cara utilizando
a não linearidade do roteiro. Com o suspense inserido, Szàsz conta ‘A Garota Húngara’
à partir da visão da pequena Kató e, junto com ela, passamos a adaptar aquele
ambiente luxuoso, sofisticado, ganancioso e ao mesmo tempo com indivíduos
eminentes. Com isso, as distintas personalidades de Elza e Rozsi são bem
definidas e vão se intensificando afetando o comportamento da nova empregada.
Assim
a direção de Szàsz brilha ao retratar essas diferenças envolto de um subtexto
rico. A disparidade entre promiscuidade e ingenuidade, o papel do homem e da
mulher na sociedade, amor versus dinheiro são todos muito bem explorados e a
cineasta não fez questão em escolher um lado, apenas representar seus ideais no
período datado. Que por sinal é representado pelos belíssimos figurinos e uma
fotografia meticulosa a base de tons azuis e sépia distinguindo os sentimentos
dentro da trama: a tensão e o conforto.

Nesse
quesito, os méritos também vão para a diretora Szàsz que soube extrair as
melhores atuações do seu elenco feminino. Sua movimentação de câmera, e
enquadramentos muitas vezes utilizando de close-ups foi essencial para
demonstrar os verdadeiros sentimentos de cada personagem. Por outro lado, o elenco
masculino tem pouco a oferecer pelo simples fato do roteiro não desenvolvê-los,
e buscar sucintas explicações do passado de seus personagens, inclusive de Elza,
com diálogos expositivos.
Mais
próximo do drama e com um leve toque de mistério, ‘A Garota Húngara
(Demimonde)’ não deve agradar a todos pela suas características do cinema
europeu, mas para quem não tem problemas e se interessam pelas controversas de
outros séculos, é um bom pedido.
NOTA: 7,4
Poxa, acabei de assistir o filme. Gostei bastante, porém não entendi muito bem o final... rs
ResponderExcluirMuito bom
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