‘Custódia’
é o reflexo da triste realidade da violência doméstica. A partir desse tema, o
estreante roteirista e cineasta, Xavier Legrand nos coloca frente a frente a um
conturbado relacionamento e uma pequena criança desamparada em meio ao caos
familiar. O resultado é angustiante, triste, pungente e, infelizmente, factual
perante o alarde do mundo atual.
O
filme começa a todo vapor com uma cena no tribunal apresentando o pai, a mãe,
seus respectivos advogados e a juíza. O casal disputa a guarda do filho,
enquanto nós, espectadores, contemplamos em tempo real a audiência da juíza aos
diferentes relatos de defesa. Verborrágico ao extremo e retratando a
personalidades de cada um dos envolvidos, a dúvida paira sobre quem diz a
verdade.
A
principio pensamos em assistir a mais um filme de tribunal, mas o inteligente
roteiro de Legrand é hábil ao intensificar os eventos do conflito familiar. Parte
disso provém de situar o filho no centro da divergência dos pais, a ponto de
esclarecer as motivações de cada um deles, assim como fazer o público sentir a
angustia por trás de uma criança de apenas 10 anos. Assim, as ações e reações
dos personagens têm um forte impacto narrativo por tudo ser tão verdadeiras em
tela.

A
direção de Legrand também se mostra presente ao valorizar uma imagem, ao invés
de diálogos. Como visto na brilhante cena da festa de aniversário da filha Joséphine (Mathilde Auneveu), insinuando um perigo próximo apenas
captando as ações dos personagens e deixando o som diegético tomar conta de
todo ambiente. Ou mesmo na cena de Joséphine no banheiro, com um plano estático.
Mais
uma vez o cinema Francês se destaca no ano de 2018 carimbando os estreantes
nomes, Xavier Legrand e Thomas Gioria
como futuras promessas. E ‘Custódia’ veio para retratar a dura e triste
realidade da violência domestica em toda sua forma e plenitude.
NOTA: 7,8
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