
É
curioso ‘O Suspeito Da Rua Arlington’ estar ausente das listas dos melhores
filmes de suspense. Um dos grandes motivos de sua ausência está pelo fato de
ser pouco reconhecido e revisitado pelo público em geral, assim como não ter
sua devida distribuição ao redor do mundo. E agora o Filme Na Mente tem o prazer de comentar uma das grandes obras do gênero.
Uma
criança ensangüentada, atordoada e andando sem rumo no meio da rua abre a
primeira cena de ‘Arlington Road’ (do original). Diante de tal situação,
Michael Faraday (Jeff Bridges) leva a pobre criança à emergência, e lá conhece os
pais do garoto – Oliver (Tim Robbins) e Cheryl (Joan Cusack). Aos poucos, eles
se tornam amigos. Porém, os vizinhos começar a agir diferente, chamando a
atenção e a desconfiança de Faraday.
A
estréia da direção de Mark Pellington (esquecido nos dias atuais) oferece todas
as variantes que o gênero tem de melhor. O suspense instaurado a partir da
desconfiança de Faraday ganha novas camadas, eventos e revelações, por
conseqüência o espectador se vê imerso a trama e simpatiza com o protagonista.
O grande motivo para tal imersão vem do ótimo roteiro de Ehren Kruger em
apresentar as motivações, os medos, a insegurança, e os mais singelos
sentimentos dos personagens.
Michael
Faraday é professor universitário, traumatizado pela morte de sua esposa, e
precisa cuidar de seu pequeno filho Grant (Spencer Clarck) ao lado de sua
namorada, Brooke Wolfe (Hope Davis). Enquanto, Oliver é um vizinho como outro
qualquer. Mas será mesmo? E nesse contexto, ‘O Suspeito Da Rua Arlington’
envolve o público.
O
roteiro engenhoso de Kruger nos faz questionar ao longo da produção se o
vizinho é mesmo o farsante ou tudo não é apenas uma imaginação de Faraday. Tudo
isso é desenvolvido apenas da primeira metade até o momento de sua verdadeira
identidade. Diante dessa resolução, a direção de Pellington brilha ao criar um
suspense crescente pelo tom de ameaça em cada enquadramento – com uso de plano
holandês, contra-plongée/plongée para acentuar/depreciar a imagem de um
personagem em tela, e também nas edições pontuais.
Com
o início do segundo ato, o filme fica mais denso, os subtextos apresentados no
inicio ganham mais significância ao longo da projeção, passamos a temer pela
vida do protagonista e das pessoas que o cercam. Até a chegada do grande final!
Nesse
percalço, o roteiro de Kruger sofre alguns deslizes com certas facilitações
narrativas (não dita para evitar spoiler). Assim como a própria direção de
Pellington apropriar com cenas de ação convencionais e pouco empolgantes, mas
nada que impeça o prosseguimento da narrativa.

Já
Tim Robbins oferece um antagonista diferente do habitual, ele não tem uma
presença imponente (como visto em outras produções do gênero), fugindo do
estereotipo de seu personagem na pele de um homem trabalhador, pai de família,
modesto e por vezes intenso na hora certa.
Com
um final genial, corajoso, revoltante e, acima de tudo, reflexivo diante de um
tema tão relevante nos dias atuais, principalmente nas terras americanas. ‘O
Suspeito Da Rua Arlington’ merece ter um maior reconhecimento e ser lembrado
entre os melhores filmes do gênero suspense.
NOTA: 9,6