Alejandro
Amenábar começou a sua carreira com o pé direito. Para quem não está
familiarizado com o cineasta, ele é conhecido pelo ótimo suspense ‘Os Outros
(2001)’ com Nicole Kidman, sua obra-prima ‘Mar Adentro’ que venceu o Oscar
de melhor filme estrangeiro e ‘Preso Na Escuridão (1997)’, este posteriormente
readaptado na presença de Tom Cruise em ‘Vanilla Sky (2001)’. Porém pouco se
comenta de seu primeiro e ambicioso projeto, o engajante suspense ‘Morte Ao
Vivo (1996)’.
Na
trama, a estudante de cinema Ângela Márquez (Ana Torrent) escolhe como tema de sua
monografia a violência no cinema. Durante
a pesquisa para o projeto, ela solicita ao seu orientador filmes que contenham
apelo sádico e violência extrema, ignorando qualquer outro tema proposto. Mas a
sua curiosidade sobre o assunto aumenta quando encontra seu orientador morto no
auditório da universidade, apontando que ele sofreu um forte ataque de asma
após assistir um misterioso filme.
Com
um roteiro cheio de reviravoltas, o quanto menos souber sobre a trama melhor sua
experiência. ‘Tesis’ (do original) não é apenas um filme de suspense, mas sim
uma trama investigativa acerca do conteúdo expostos pela fita encontrada pelo
orientador de Ângela. O roteiro assinado
pelo próprio Amenabar prende a atenção do espectador pela sua premissa
instigante e jogando pistas falsas sobre a verdadeira identidade do assassino.
A
direção de Amenabar está sempre um passo do espectador. Quando achamos que já
sabemos quem é o assassino, passamos a rever nossos conceitos com uma futura
revelação. Os personagens são dúbios, capaz de fazer o público simpatizar e
odiar por eles ao mesmo tempo. O roteiro instiga, engaja e apresenta diferente
facetas sobre cada um deles e, infelizmente, as atuações não estão à altura.
O
melhor amigo de Ângela, Chema interpretado por Fale Martínez está operante. E o ator Eduardo Noriega não
convence nem como um sociopata, e nem como um bom moço. Quem realmente dispensa
comentários é a atriz Ana Torrent mostrando-se corajosa e determinada a dar um ponto final na história,
mas lá dentro percebemos toda a sua fragilidade e o medo de se envolver em um
tema tão perverso.

Porém
seu roteiro não é perfeito com algumas facilitações narrativas e uma cena em
especifica quando Angela é aprisionada (não dito para evitar spoiler). Em
contrapartida, Amenabar encontrou recursos narrativos sensacionais, fragmentos
em preto e branco, e enquadramentos favorecendo o suspense tanto em lugares
confinados, como aberto. E a trilha sonora acompanhando com precisão as cenas
com um único contratempo: soou mais do que o necessário.
Instigante,
provocante, crítico e vencedor e sete prêmios Goya, ‘Morte Ao Vivo (1996)’ é
uma das melhores obras de Amenabar e com
um final, simplesmente, genial.
NOTA: 8,2
Nenhum comentário :
Postar um comentário