O aclamado autor Ian McEwan apresenta no âmago de suas obras
literárias, dramas complexos de amor no seio da sociedade britânica. Foi assim em seu bestseller ‘Expiação’
lançado no cinema em 2007, e agora o escritor adapta o seu próprio romance em
forma de argumento para entregar mais uma trama difícil com um subtexto
fascinante em ‘Na Praia de Chesil’.
A trama acompanha o jovem casal Florence (Saoirse Ronan) e
Edward (Billy Howle), recém-casados, curtindo a lua-de-mel em um pequeno hotel
próximo a praia de Chesil, em Dorset. Porém, à medida que se aproxima a
consumação do casamento, as conversas e anseios ganham um grau de tensão e as
diferenças ideológicas, cultural e comportamental do casal, coloca em prova o
futuro do relacionamento.
A direção assinada pelo estreante Dominic Cooke apresenta
pontos altos e baixos durante sua produção. Apoiando-se nas espetaculares
interpretações do elenco central de Ronan e Howle, ‘Na Praia de Chesil’,
consegue fisgar a atenção do público não apenas pelas atuações, mas também pela
forte empatia e amor do casal contemplado a partir dos flashbacks. Somos
situados em diferentes anos, apresentando-nos os personagens em várias idades
até o atual presente, antes da consumação do casamento.

Por mais intenso e comovente que seja seu último ato, faltou
em ‘Na Praia de Chesil’ o peso carregado do casal após a grande objeção. Em
contrapartida, tecnicamente, Cooke mostra-se um cineasta comprometido com sua
cinematografia. Em meio a diferentes décadas, o design de produção e a caracterização dos personagens, são um show
à parte retratando os anos de 1962, 1975 e 2007.
Apesar de não encontrar o equilíbrio em seu tom narrativo,
‘Na Praia de Chesil’ é um bom filme de romance, ao retratar os dilemas de uma
relação nos anos 60, sem perder seu forte tom dramático, provando a devassidão
da incomplacência, o peso do remorso e, acima de tudo, o verdadeiro significado
do amor.
NOTA: 7,0
Nenhum comentário :
Postar um comentário